Marise Muniz
A energia solar térmica no Brasil tem um gigantesco potencial a ser explorado. Para se ter uma idéia, a radiação que incide na área do Distrito Federal durante um só ano equivale ao índice total de energia gerado por 162 usinas do porte de Itaipu. Apesar disso, mais do que qualquer lugar no mundo, o País utiliza preferencialmente energia elétrica para o aquecimento de água. Calcula-se que mais de 6% de todo o consumo nacional sejam hoje usados para alimentar chuveiros elétricos.
Mais recentemente, porém, esse cenário começa a ensaiar os primeiros passos em direção a opções energéticas mais limpas e eficientes. O aquecimento solar, na visão de ambientalistas, oferece as condições ideais para tornar-se a melhor opção brasileira de aquecimento da água, pois provém de uma fonte absolutamente limpa, gratuita e inesgotável.
Nos últimos quatro anos, o mercado brasileiro de aquecimento solar vem crescendo a uma taxa anual de 30%. Hoje, o setor tem cerca de 2,4 milhões de m2 de coletores solares instalados no País, com qualidade que pode ser equiparada à do mercado internacional. ``Começamos a sair da posição de patinho feio para a condição de cisne'', compara Luiz Augusto Mazzon, vice-presidente de marketing da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
Usina ecológica
Tirar o chuveiro elétrico do horário de ponta e dar maior segurança ao parque industrial brasileiro é hoje o principal desafio do setor. ``Não podemos mais admitir que um raio que cai em Bauru deixe o Sudeste inteiro sem luz'', argumenta Elizabeth Pereira, diretora do Green Solar - Centro Brasileiro para o Desenvolvimento da Energia Solar Térmica, sediado na PUC/MG, em Belo Horizonte. Segundo ela, o sistema solar é também mais vantajoso para o usuário, pois permite uma redução na conta de luz da ordem de 30% a 40%.
Ter um aquecedor solar em casa, segundo os técnicos do setor, é como ter uma mini-usina gerando água quente. E uma usina ecológica: além de proporcionar banho quente com economia e segurança, o meio ambiente também ganha. Para cada metro quadrado de coletor solar instalado, deixa-se de inundar uma área de 56 m2 para geração de energia elétrica, economiza-se 55 kg de gás por ano e elimina-se anualmente o consumo de 215 kg de lenha.
Como funciona um aquecedor solar
O sistema é bem simples: o coletor, principal componente dos aquecedores solares, é um trocador de calor especialmente concebido para captar os raios solares e transferir seu calor para a água. Os coletores podem ser instalados em qualquer local que receba sol entre 8h e 18h. A água aquecida durante o dia fica armazenada em um reservatório térmico, o que permite que a pessoa possa tomar seu banho quente sem problemas à noite ou logo ao amanhecer.
E no inverno ou em dias chuvosos?
No inverno brasileiro, mesmo nos dias mais frios, o calor do sol é suficiente para aquecer a água. Quando o tempo fica nublado, o aquecedor ainda assim produz água quente, pois não precisa de um dia de céu limpo para funcionar. Com o mormaço, muita energia solar é captada.
Já no período de chuvas, os aquecedores solares acionam um sistema alternativo, o chamado aquecedor auxiliar, que aquece a água por energia elétrica, permitindo que o usuário tenha sempre água quente. Mas isso só acontece em alguns dias no ano, quando chove intermitentemente.
A energia solar também gera eletricidade
Para se ter eletricidade, são usados equipamentos diferentes, os chamados painéis fotovoltaicos, que convertem a luz do sol diretamente em eletricidade. Esses painéis são usados principalmente no meio rural, onde não há rede elétrica convencional.
Informações adicionais sobre aquecedores solares:
- Green Solar - PUC/MG: (31) 319-4387 - E-mail: greenªpucminas.br
- Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava): (11) 221-5777 - E-mail: abravaªabrava.com.br