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Bioenergia-espanol Archive for January 2000
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[RB] Mata Atlantica e Carvao vegetal



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Amigos: Outra materia sobre a siderurgia a carvao vegetal no Brasil. 
Extraido do Jornal O Estado de Minas , caderno Ecológico

http://www.estaminas.com.br/ecologico/012215.htm

   Tragédia atlântica 

 A história de um passivo ambiental que causou a morte da Mata Atlântica e
do bioma do Cerrado no coração leste do País


Cláudio Guerra (*)


 A siderurgia a carvão vegetal é uma atividade muito importante para a
economia mineira e brasileira, gerando um faturamento anual da ordem de US$
4 bilhões. A história do carvão vegetal no Brasil teve início em meados do
Século XIX, no leste de Minas Gerais, quando as primeiras sementes da
Revolução Industrial influenciaram o surgimento da indústria siderúrgica
naquela região. Nela encontravam-se dois ingredientes fundamentais para o
desenvolvimento da tecnologia de produção de ferro-gusa a carvão vegetal: a
presença da Mata Atlântica e de grandes jazidas de minério-de-ferro.


 Em 1827, o engenheiro francês Jean Monlevade fez a primeira corrida do
ferro-gusa em sua fazenda, em Caeté. Cinco décadas depois, o imperador do
Brasil, Dom Pedro II, criou a Escola de Minas de Ouro Preto e chamou outro
engenheiro francês, Henri Gorcex, para dirigi-la. No início do Século XX,
surgiram no leste de Minas dezenas de pequenas indústrias produtoras de
ferro-gusa. A região começa a se consolidar como um pólo siderúrgico
quando, em 1921, um grupo empresarial da Bélgica - o ARBED - criou a
Siderúrgica Belgo-Mineira, na cidade de Sabará.


 Em 1937, o grupo dá um grande salto e estabelece um marco na produção
siderúrgica e de carvão vegetal no Brasil: é instalada naquela região, às
margens do Rio Piracicaba, a nova unidade da Belgo-Mineira - a maior e mais
moderna usina siderúrgica da América Latina. Poucos anos depois, o governo
brasileiro também cria uma grande usina siderúrgica a carvão vegetal, 50
quilômetros abaixo, no mesmo Rio Piracicaba - a Acesita, produtora de aços
inoxidáveis do Brasil. Assim, à enorme expansão da siderurgia mineira
correspondeu também um ``boom'' de sua principal matéria- prima: o carvão
vegetal.


Efeitos negativos


 Concentradas numa mesma região, estas duas usinas siderúrgicas, Belgo
Mineira e Acesita, juntamente com a produção de lenha e a formação de
pastagens, contribuíram para a completa devastação da Mata Atlântica no
leste mineiro. O carvoejamento passou a ser uma das principais atividades
econômicas da região. Como conseqüência, a madeira começou a ficar cada vez
mais distante da usina siderúrgica, o que aumentava os custos de produção. 


 Entre o final da década de 40 e o início dos anos 50, são plantadas as
primeiras florestas de eucalipto. O objetivo era reduzir os custos de
produção, buscando a obtenção da madeira - e do carvão - o mais próximo
possível da unidade industrial. Décadas depois, as empresas reflorestadoras
começam a argumentar que o plantio de eucalipto poderia reduzir as pressões
sobre as matas nativas ali existentes. 


 Entretanto, o déficit ambiental aumentou significativamente e os efeitos
negativos na biodiversidade regional podem ser considerados desastrosos,
conforme estudos recentes da UFMG. Paralelamente, a indústria siderúrgica
crescia em outras regiões de Minas, aumentando exponencialmente o consumo
de sua principal matéria-prima. E nos anos 50, uma grande siderúrgica
alemã, a Mannesmann, instalou-se no município de Belo Horizonte. 


Avassalador


 A partir de 1967, o governo federal começou a investir na expansão das
indústrias siderúrgica e de celulose, implementando uma arrojada política
de incentivos fiscais e subsídios a programas de reflorestamento, o que
contribuiu para um crescimento exponencial das áreas de plantio com a
monocultura de eucalipto no País, superando inclusive culturas tradicionais
como as de arroz, feijão e café.


 Segundo dados oficiais, em Minas essas áreas passaram de 62 mil hectares,
em 1967, para quase 2 milhões em 1982. Nos anos 70 é criado o pólo
siderúrgico do oeste e norte de Minas, abrangendo os municípios de Sete
Lagoas, Divinópolis, Pirapora e Várzea da Palma, entre outros. Todos
localizados em áreas de Cerrado.


 Desta forma, a produção de carvão se deslocou do leste para o norte e
noroeste de Minas, onde contribuiu para a devastação do bioma do Cerrado.
Paralelamente, chegava a monocultura do eucalipto, para continuar o
fornecimento da matéria-prima básica para a siderurgia. Só na região norte
de Minas foram ocupados, em menos de 20 anos, um milhão e cem mil hectares
com a monocultura desta árvore. Os impactos ambientais e sociais de tal
avanço nunca foram contabilizados e pouco são discutidos. 


 A conversão da madeira em carvão vegetal é desenvolvida através de uma
tecnologia extremamente rudimentar. As perdas são em torno de 50%. Isso
significa que, na produção de carvão, ao se cortar uma área de um hectare
de floresta, metade da madeira será convertida em fumaça e a outra metade
em subprodutos dentro dos fornos. Não tem havido investimentos na
tecnologia de conversão.


 Portando, o desmatamento avassalador, o desperdício e a exploração
desumana da mão-de-obra passaram a fazer parte da cultura da produção de
carvão vegetal quando, nos anos 80, o Estado de Minas Gerais se tornou o
maior pólo siderúrgico a carvão vegetal do mundo. 


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			Asesor Tecnico Principal
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