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Bioenergia-espanol Archive for February 2000
31 messages, last added Tue Nov 26 17:13:07 2002

[Date Index][Thread Index]

Re: [RB] Mata Atlantica e Carvao vegetal



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A reportagem foi boa para alertar sobre uma situação caótica, porém o Guerra foi irresponsável por não falar sobre a situação em que se encontra várias empresas, com processos certificados internacionalmente pelo FSC (Plantar e Mannesmann), as quais têm uma proposta diferente e sustentável do ponto de vista ambiental, econômico e social.

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> 
> 
> 
> Amigos: Outra materia sobre a siderurgia a carvao vegetal no Brasil. 
> Extraido do Jornal O Estado de Minas , caderno Ecológico
> 
> http://www.estaminas.com.br/ecologico/012215.htm
> 
>    Tragédia atlântica 
> 
>  A história de um passivo ambiental que causou a morte da Mata Atlânt
> ica e
> do bioma do Cerrado no coração leste do País
> 
> 
> Cláudio Guerra (*)
> 
> 
>  A siderurgia a carvão vegetal é uma atividade muito importante para 
> a
> economia mineira e brasileira, gerando um faturamento anual da ordem de U
> S$
> 4 bilhões. A história do carvão vegetal no Brasil teve início em 
> meados do
> Século XIX, no leste de Minas Gerais, quando as primeiras sementes da
> Revolução Industrial influenciaram o surgimento da indústria siderú
> rgica
> naquela região. Nela encontravam-se dois ingredientes fundamentais para
>  o
> desenvolvimento da tecnologia de produção de ferro-gusa a carvão ve
> getal: a
> presença da Mata Atlântica e de grandes jazidas de minério-de-ferro.
> 
> 
>  Em 1827, o engenheiro francês Jean Monlevade fez a primeira corrida do
> ferro-gusa em sua fazenda, em Caeté. Cinco décadas depois, o imperado
> r do
> Brasil, Dom Pedro II, criou a Escola de Minas de Ouro Preto e chamou outr
> o
> engenheiro francês, Henri Gorcex, para dirigi-la. No início do Sécu
> lo XX,
> surgiram no leste de Minas dezenas de pequenas indústrias produtoras de
> ferro-gusa. A região começa a se consolidar como um pólo siderúrg
> ico
> quando, em 1921, um grupo empresarial da Bélgica - o ARBED - criou a
> Siderúrgica Belgo-Mineira, na cidade de Sabará.
> 
> 
>  Em 1937, o grupo dá um grande salto e estabelece um marco na produçã
> o
> siderúrgica e de carvão vegetal no Brasil: é instalada naquela regi
> ão, às
> margens do Rio Piracicaba, a nova unidade da Belgo-Mineira - a maior e ma
> is
> moderna usina siderúrgica da América Latina. Poucos anos depois, o go
> verno
> brasileiro também cria uma grande usina siderúrgica a carvão vegeta
> l, 50
> quilômetros abaixo, no mesmo Rio Piracicaba - a Acesita, produtora de a
> ços
> inoxidáveis do Brasil. Assim, à enorme expansão da siderurgia minei
> ra
> correspondeu também um ``boom'' de sua principal matéria- prima: o ca
> rvão
> vegetal.
> 
> 
> Efeitos negativos
> 
> 
>  Concentradas numa mesma região, estas duas usinas siderúrgicas, Belg
> o
> Mineira e Acesita, juntamente com a produção de lenha e a formaçã
> o de
> pastagens, contribuíram para a completa devastação da Mata Atlânt
> ica no
> leste mineiro. O carvoejamento passou a ser uma das principais atividades
> econômicas da região. Como conseqüência, a madeira começou a fi
> car cada vez
> mais distante da usina siderúrgica, o que aumentava os custos de produç
> ão. 
> 
> 
>  Entre o final da década de 40 e o início dos anos 50, são plantada
> s as
> primeiras florestas de eucalipto. O objetivo era reduzir os custos de
> produção, buscando a obtenção da madeira - e do carvão - o mais
>  próximo
> possível da unidade industrial. Décadas depois, as empresas reflorest
> adoras
> começam a argumentar que o plantio de eucalipto poderia reduzir as pres
> sões
> sobre as matas nativas ali existentes. 
> 
> 
>  Entretanto, o déficit ambiental aumentou significativamente e os efeit
> os
> negativos na biodiversidade regional podem ser considerados desastrosos,
> conforme estudos recentes da UFMG. Paralelamente, a indústria siderúr
> gica
> crescia em outras regiões de Minas, aumentando exponencialmente o consu
> mo
> de sua principal matéria-prima. E nos anos 50, uma grande siderúrgica
> alemã, a Mannesmann, instalou-se no município de Belo Horizonte. 
> 
> 
> Avassalador
> 
> 
>  A partir de 1967, o governo federal começou a investir na expansão d
> as
> indústrias siderúrgica e de celulose, implementando uma arrojada polí
> tica
> de incentivos fiscais e subsídios a programas de reflorestamento, o que
> contribuiu para um crescimento exponencial das áreas de plantio com a
> monocultura de eucalipto no País, superando inclusive culturas tradicio
> nais
> como as de arroz, feijão e café.
> 
> 
>  Segundo dados oficiais, em Minas essas áreas passaram de 62 mil hectar
> es,
> em 1967, para quase 2 milhões em 1982. Nos anos 70 é criado o pólo
> siderúrgico do oeste e norte de Minas, abrangendo os municípios de Se
> te
> Lagoas, Divinópolis, Pirapora e Várzea da Palma, entre outros. Todos
> localizados em áreas de Cerrado.
> 
> 
>  Desta forma, a produção de carvão se deslocou do leste para o nort
> e e
> noroeste de Minas, onde contribuiu para a devastação do bioma do Cerr
> ado.
> Paralelamente, chegava a monocultura do eucalipto, para continuar o
> fornecimento da matéria-prima básica para a siderurgia. Só na regiã
> o norte
> de Minas foram ocupados, em menos de 20 anos, um milhão e cem mil hecta
> res
> com a monocultura desta árvore. Os impactos ambientais e sociais de tal
> avanço nunca foram contabilizados e pouco são discutidos. 
> 
> 
>  A conversão da madeira em carvão vegetal é desenvolvida através 
> de uma
> tecnologia extremamente rudimentar. As perdas são em torno de 50%. Isso
> significa que, na produção de carvão, ao se cortar uma área de um
>  hectare
> de floresta, metade da madeira será convertida em fumaça e a outra me
> tade
> em subprodutos dentro dos fornos. Não tem havido investimentos na
> tecnologia de conversão.
> 
> 
>  Portando, o desmatamento avassalador, o desperdício e a exploração
> desumana da mão-de-obra passaram a fazer parte da cultura da produçã
> o de
> carvão vegetal quando, nos anos 80, o Estado de Minas Gerais se tornou 
> o
> maior pólo siderúrgico a carvão vegetal do mundo. 
> 
> 
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> 			Rogerio Carneiro de Miranda
> 			Asesor Tecnico Principal
> 			PROLEÑA/Nicaragua
> 			Apartado Postal C-321 
> 			Managua, Nicaragua
> 			TELEFAX (505) 276 2015, 270 5448
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